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Mostrando postagens com o rótulo Picarética

Feitos de Barro?

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  Feitos de Barro? Dentre as zombarias mais comuns realizadas por ateus e materialistas contra os devotos do texto bíblico, uma de destaque é aquela que visa humilhar a crença de que somos feitos de barro. Pois bem. Pensemos a partir das conclusões científicas: O modelo mais aceito atualmente pela ciência é aquele que aponta para a existência de Hidrogênio em um Universo primevo, que, por gravidade, passou a se unir em grandes áreas de gás. Tais concentrações de Hidrogênio, após milhões de anos, a partir da fusão desse Hidrogênio, tornaram-se as estrelas. No interior dessas estrelas, durante seu tempo de vida (entre centenas de milhões e alguns bilhões de anos - podendo, nas menores estrelas, chegar a trilhões), a fusão do Hidrogênio  forma átomos cada vez mais pesados. Quando as estrelas cessam de existir, jogam todos esses elementos para o Universo. Assim, com o passar do tempo, o Universo passou a ser povoado não mais apenas por Hidrogênio, mas por uma grande gama de elemen...

Nota sobre a ocultação das macróbias ciências

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Ao nobre professor Astromar, que me revelou o oculto e, adversamente, o empírico sentido do ato de educar. É de senso comum e democraticamente popularizada a opção automática e inequívoca pelo moderno. Tal fato, cuja obviedade aniquila e ridiculariza a necessidade de comprovação, resulta, entre tantas outras consequências empíricas, na ocultação, na metamorfose em vitupério ou até mesmo no absoluto olvidamento das antigas ciências. Quem, em moderna consciência, emprestaria seus ouvidos com mais ênfase à Alquimia do que à Química ou à Psicologia do que à Neurociência? Contudo - e é no contudo que resiste o Ser -, sob o risco de violação das mais fundamentais leis da lógica, não há como se afirmar, com certeira e óbvia certeza, que o hodierno e corrente deva sempre superar ou renegar, como se fosse esta uma lei cósmica, o avelhantado e matusalênico. Almejando a poupança de nossa rarefeita energia vital - mais uma característica corriqueira da moderna era -, dar-nos-emos o direito de expr...

Editora Ética & Picarética

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Em 2009, a Editora Ėtica & Picarėtica teve início, com o lançamento do Zine-livro Escritos Éticos & Picaréticos. No ano seguinte, 2010, saíram os 5 números da Revista Ética & Picarética. Em 2011, saíram os 3 números do boletim O Picarético. Atualmente, a maioria dos textos presentes em tais publicações estão neste blog. Além dos textos sobre veganismo já escritos na época, as revistas possuíam contos sarcásticos que, de modo indireto (escrachando a humanidade), apontam para a ética.

O povo nas ruas (Micro-crônica, 2014)

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Quando um povo que passou a vida em frente à TV sai pra rua, a rua vira um programa de TV.

Nota sobre educação e corpo (2014)

Uma das questões mais discutidas atualmente em cursos de formação de professores é que a escola privilegia em demasia a educação das habilidades da mente e relega a educação de habilidades corporais. Resolvi escrutinar a mim mesmo para checar a acusação. Conclusão: há sentido: em mais de vinte anos vividos em nosso sistema educacional, a única habilidade manual que desenvolvi a contento foi a de enrolar cigarros.

Elogio em processo seletivo para o doutorado

Conclusão da pretensa orientadora durante a entrevista deste ano para tentar entrar no doutorado (5 anos já de "nãos"...): " Não é possível executar esta pesquisa porque teu projeto não é disciplinar, não é científico e está fadado à frustração porque está fora dos limites da razão, e nada avança fora dos limites da razão ". Poucas vezes fui tão elogiado.  

Contribuições para a redefinição das origens do pentecostalismo (2013)

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CONTRIBUIÇÕES PARA A REDEFINIÇÃO DAS ORIGENS DO PENTECOSTALISMO (2013) Introdução A busca pela origem é um definidor daquilo que podemos chamar de humano, de propriamente humano, de genuinamente humano, de inescapavelmente humano. Todo humano – que se preze e que não se preze – é um buscador de origens. Buscamos aqui as origens históricas e teológicas do movimento pentecostal no âmbito do protestantismo cristão. Nem sempre a historia do mundo humano surge no passado. São incontáveis os casos em que a historia surge no instante em que a mente é fecundada pelo encontro com documentos. A historia do pentecostalismo, movimento religioso impressionantemente crescente, pode neste momento ser reescrita graças ao encontro com o precioso texto “Orai Altíssimo” do bispo mexicano Carlito Melendez Jr., datado de 1878 – mais de duas décadas anterior ao início outrora reconhecido para tal movimento em terras estadunidenses. É sobre esta história que o presente artigo se deterá. A Origem   É bem ...

O Zen e a arte de enganar crianças (Crônica, 2013)

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- Fui até meu professor com nada e voltei com nada. - Por que se dar ao trabalho de ir ter com o professor, então? - De que outra forma eu saberia que fui com nada e voltei com nada? Conversa entre dois antigos mestres Zen Apresento uma experiência real: um modo de enganar crianças ao mesmo tempo em que as presenteia com algo nobre. Em suma, um texto sobre educação. Certa vez fui a uma festa infantil. Sem pensar muito, fui sem presente. Esqueci-me desse pequeno acordo social. Eis que a criança, coitada, ao me cumprimentar, manifestou seu pedido (nessa idade ainda temos a honra de ir direto ao ponto). De improviso, me resolvi... Estendi uma de minhas mãos fechada e disse: - Seu presente está dentro desta mão. Bata nela para abrir. A criança, claro, apesar de um pouco desapontada com o tamanho do presente, meio desconfiada, meio ansiosa, bateu. Abri a mão e, aí estava... o vazio! A criança me olhou com olhar perdido e emendei: - Isto aqui é um presente valiosíssimo: o vazio. Se você apre...

Manifestação contra a PEC 37 (Crônica, 2013)

Hoje, após encher o bucho em um caro e oleoso restaurante vegetariano de São Paulo, saí para uma caminhada pela Avenida Paulista. Eis que me deparei com uma horda patriótica em polvorosa, com suas buzinas, faixas, placas, cervejas e maquiagens verde e amarelas. Pois bem: resolvi então realizar um experimento jornalístico-sociológico com a massa: perguntar, com a maior inocência, para pessoas carregando placas contra a tal da PEC-37, tema do evento de hoje, o que seria este troço. Seleciono algumas das belas conversas que enriqueceram esta tarde de Sábado dantes nebulosa: O primeiro alvo foi um jovem universitário que distribuía um panfleto com um símbolo do Anonymous e, no verso, um logo contrário à PEC. Sua resposta: - Cara, minha mãe é delegada, tá ligado, e... cara, ela falou que é foda! O Ministério Público vai perder poder! A jovem seguinte: - Tipo... o judiciário... tipo... sabe? Eles vão proibir o Ministério Público de investigar os crimes. Só a polícia vai poder fazer. A um out...

Peronius de Mileto e Mark Head: fragmentos biográficos (2010)

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Muitos pensadores e pensamentos perderam-se no tempo, sem discípulos para levá-los adiante, não registrados em papel, nem mesmo em pedra. Quão diferente teria sido a humanidade se em vez de Sócrates, Platão e Aristóteles conhecêssemos outros pensadores com visões de mundo completamente diferentes? Um destes pensadores perdidos na História é Peronius de Mileto (621-560 a.C.), esquecido completamente até o século XII, depois esquecido novamente até o século XIX, depois praticamente esquecido até hoje. Quase tudo o que escrevera ou ensinara perdera-se. Contudo, uma ínfima parte de seu legado fora descoberta no fim do século XIX pelo arqueólogo irlandês Mark Head em uma escavação. Trata-se de apenas dois pergaminhos escritos por um monge no século XII (que, sabe-se lá como, obteve acesso à inigualável herança intelectual de Peronius). Um pergaminho possuía algumas ideias e outro alguns dados biográficos de Peronius sistematizados pelo monge. Os registros sobre este monge dizem que era um l...

Dilma Rousseff e a nacionalidade burguesa (crônica)

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Hoje no ônibus, logo cedo, obrigado a largar meu fone de ouvido, dado que o horário eleitoral havia invadido o rádio, ganhei a chance de ouvir um belo diálogo entre dois trabalhadores da madrugada voltando pra casa: - Tanto faz quem ganhar. Ninguém vai dar nada pra gente mesmo. - É. Tudo vai roubar. - É... Diz que essa Dilma aí é ladra. Roubou banco, formação de quadrilha. - É. Ouvi isso aí... Diz que é, né? - É... Diz que o ex-marido dela roubou banco e ninguém sabe onde está a grana até hoje. Acha que ela não é cúmplice? - É... E esse ex-marido aí quem que é? Não conhecia. - São separados. Ele mora em Porto Alegre. É estrangeiro. - Parece que ela também. - Acho que nasceu aqui. Os pais são. - De onde mesmo? - Parece que ela é burguesa. - Ah é. Da Bulgária, né? - Diz que é...

James, o acadêmico qualitativo (Conto, 2010)

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James, o acadêmico qualitativo James era um famoso pensador em sua universidade. Um procurado analista. Negava-se a ver as coisas quantitativamente. Uma vez lhe perguntaram sobre quantas pessoas ele já havia tido algum relacionamento amoroso, ao que ele respondeu: - Não sei, é uma pergunta difícil, pois há mulheres, assim como homens, evidentemente, que não valem uma unidade, outras valem muitas; mas, ainda, o que seria esta unidade, este equivalente geral? Isto seria impossível de encontrar, pois não há um equivalente geral em seres tão díspares entre si, de naturezas tão misteriosas. Assim, só o que sobra é a unidade biológica, genética, o limite do corpo, não da mente ou do espírito. Algo muito restritivo ao meu conceito de pessoa. Assim sendo, é impossível contar. E saiu de fininho enquanto todos se olhavam...

Compêndio da cosmovisão Picarética

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   Compêndio da cosmovisão Picarética   Metafísica  (Princípios da visão de mundo) A natureza última do universo é o absurdo. A natureza última não é nem uma essência nem um princípio, pois não é anterior nem posterior às coisas. O sentimento mais próximo da louvação é o espanto. As coisas “simplesmente” são. Este “simplesmente” não denota uma simplicidade, mas “apenas” que as coisas “apenas” são. Este “apenas” não quer dizer que isto é pouca coisa, mas apenas que as coisas são. E pronto. E coisas inter-relacionadas transformam-se e criam umas às outras, que devem suas existências às anteriores, mas são, ainda assim, sem planejamento prévio. As únicas coisas que possuem porquês são as criadas por seres conscientes. A complexidade destes porquês depende da complexidade da(s) consciência(s) que as criaram. E isto é muito variável, seja por espécie, seja por indivíduos da mesma espécie. O universo, portanto, apenas seria fruto de porquês se criado por seres conscientes ...

Jack, o militante (Conto, 2010)

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Jack, o militante “ A mente humana é uma grande sandice para nossa razão ” V.P. Zaghananda Há aqueles que desejam determinar a realidade. Outros desejam indeterminá-la. As duas possibilidades nos traem. Jack era dos primeiros. Ativista sistemático. Foi obrigado a atrasar-se para uma revolucionária reunião pois seu intestino, em postura típica de um opressor da humanidade, um verdadeiro escravocrata, não lhe deu opção além de parar e defecar. Coerência, combate, resistência contra o opressor! Resolveu extirpá-lo. No dia seguinte, suas tripas expostas ilustravam a primeira página do jornal do Partido.

Feliz Era Nova (Conto, 2010)

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Feliz Era Nova Trinta e um de Dezembro de dois mil e doze. Hordas de jovens reúnem-se tristes em um famoso parque para tomar chá e pensar no que farão daqui para frente. Há anos esperavam pelo fim. Crentes na chegada da Nova Era e no fim do calendário maia, esperaram o ano todo pelo fim do mundo, ou, ao menos – para os mais conformados – deste modo de ser do mundo, seja lá o que isso possa significar. Todos possuíam algo em comum: com muito esforço libertaram-se das amarras dos dogmas católicos e das liturgias judaico-cristãs. Agora seguem apenas o que for indiano ou pré-colombiano. Muitas tradições antigas possuem algumas palavras que são tidas como sagradas, muitas vezes passadas apenas a poucos iniciados. A maioria das pessoas da inesperada reunião no parque foi tocada pelas mesmas duas palavras, que possuem o poder de abrir suas portas de compreensão de verdades profundas que, como tais, não podem ser explicadas, apenas acreditadas. São palavras que, ao estarem associada a alguma i...

Um diálogo racional (Conto, 2010)

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Um diálogo racional Certo dia, um pequeno grupo de amigos e amigas, algo entre cinco e seis jovens, encontrava-se em um bar, quando avistaram, ao longe, religiosos passando, felizes, cantando em grupo. Um dos amigos enervou-se e o debate teve inicio. – Pleno século XXI e esses porras ainda acreditam nesse monte de merda! – Calma, talvez haja coisa boa entre eles... Valores, respeito... – Pode haver, mas são educados a achar que é bonito acreditar em algo que não se pode provar racionalmente. E isto é nefasto! – Mas provar algo racionalmente faz este algo ser menos nefasto? – Claro! A razão é nossa única forma de checar a veracidade de algo, pô! – Eu já acho que razão é criada pelo próprio pensamento, então é de menor importância que coisas mais profundas. – Coisas mais profundas? Do que está falando? Eu não sou contra sentimentos, valores, essas coisas, mas sem razão, só com sentimentos, voltaremos à barbárie. – Ou sairemos dela... – Tendo a concordar com você... – Vocês estão ficando ...

A Corrupção do incompreensível

 A Corrupção do incompreensível é o compreensível

O Poder da Comunidade (Conto, 2009)

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O Poder da Comunidade I Em Outubro deste ano, o magnânimo prefeito, aclamado por seus eleitores, fez uma grande reforma nas praças públicas da cidade. Com o apoio da iniciativa privada e os honestos trabalhos de uma empresa privada corretamente licitada, ousou sonhar com novos centros públicos. Todas as grandes praças da cidade passaram por imensas reformas. Novos gramados, novas mudas de árvores, limpeza dos lagos e novos bancos.  Os novos modelos dos bancos eram a grande sensação. Importados da Europa, pelo que disse o noticiário televisivo. Foram inteiramente pagos por grandes empresas bancárias, que levam seus louváveis nomes em pequenas placas junto aos bancos. Como previsto, recorrendo a infames tentativas de humor publicitário como “o banco que apoia seu banco” ou “nosso banco está sempre pronto pra te apoiar”. Eram bancos com a mais nova tecnologia para a comodidade dos transeuntes, com curvas para encaixar os glúteos e braços individuais que impedem que a pessoa sentada ao...

Oswaldo, o Intelectual Literato (Conto, 2009)

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Oswaldo,  O Intelectual Literato I Procurei por toda a biblioteca por uma mesa que estivesse longe de alguém teclando em um maldito computador portátil. Não achei. Sentei na última mesa, encostado na parede do fundo. Ao meu lado, o ar condicionado zumbia fortemente. Meu ouvido direito doía. Coloquei meus fones de ouvido, ainda que desconectados de qualquer fonte sonora, apenas para abafar os ruídos. Não adiantou. Resolvi não prestar atenção e começar a escrever. Em poucos minutos minha cabeça doía, mas o texto ficava de meu agrado. Resolvi não mudar de mesa para não perder a inspiração. Virei escritor há duas semanas. O bom da literatura é que se pode defender ideias sem necessariamente concordar com elas. Nem mesmo é necessário fazer parecer que se possui qualquer ideia com a qual se concorda. Não preciso justificar meus métodos, nem aderir a uma orientação teórica. Há oito semanas deixei de ser acadêmico. Há duas semanas virei escritor. Há uma semana acabei meu primeiro conto. O ...

Um Homem Íntegro (Conto, 2009)

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Um homem íntegro (2009)   I A gente não escolhe a espécie em que nasce. Muitas vezes andei amoroso pelas ruas. Os que me viam certamente pensavam: “Aí está uma boa alma”. Mas era por causa deles que tal amorosidade se esvaia. Resolvi ficar em casa. Que não me venham falar que nunca tentei o convívio. Quando jovem tentei as festas. Rapidamente concluí que eram ótimos lugares para se criar expectativas prévias e lamentos posteriores. Desisti. Tentei os bares e as moças que os frequentam. Beber e esperar pelas igualmente bêbadas era fácil. Percebi, nem tão rapidamente, que nem só de jorro de esperma vive o homem. Desisti. Resolvi ser escritor e me colocar ao mundo pelas letras. Comprei um computador e com ele me uni por uma noite. Tentei escrever um romance descrevendo todas as minhas mazelas de amor. Se não fosse interessante, ao menos havia eu certeza de que assim as tiraria do espírito, como a um câncer. Escrevi horas e horas. Inacreditáveis horas seguidas, remoendo mente e corpo s...